ABNT NBR 6484: o que mudou e o que continua valendo
A NBR 6484 define como a sondagem SPT é executada e registrada no Brasil. Resumimos o que permanece desde a versão anterior, o ponto da revisão de 2020 que mais afeta quem contrata e o que conferir no laudo.
RASCUNHO — revisão técnica pendente
A ABNT NBR 6484 é a norma brasileira que define o método da sondagem de simples reconhecimento com SPT. A versão vigente é de 2020 e substituiu a de 2001.
Para quem contrata a sondagem, o que importa é menos o texto da norma e mais o que ela garante: que o N-SPT de um laudo possa ser comparado com o de outro e usado com segurança no cálculo da fundação. Neste artigo, separamos o que é consolidado do que exige atenção. O texto oficial, publicado pela ABNT, continua sendo a referência final.
Por que a norma do SPT importa para quem contrata
O N-SPT é um índice de campo e só tem valor se for obtido sempre do mesmo jeito. A norma padroniza o equipamento, a energia de cravação, a contagem de golpes e a forma de registrar os resultados. Sem essa padronização, dois laudos do mesmo terreno poderiam mostrar números diferentes.
Os métodos de cálculo de fundação usados na prática brasileira foram desenvolvidos a partir de ensaios feitos nessas condições. Um ensaio fora da norma pode levar o projetista a superestimar ou a subestimar a resistência do solo.
O que continua valendo
A essência do ensaio não mudou. Estes pontos são a base de qualquer sondagem SPT executada conforme a norma:
- Martelo de 65 kg em queda livre de 75 cm.
- Amostrador padrão cravado 45 cm, em três trechos de 15 cm, com os golpes de cada trecho registrados.
- N-SPT igual à soma dos golpes dos 30 cm finais.
- Ensaio e coleta de amostra a cada metro de perfuração.
- Avanço do furo com trado e, quando necessário, por circulação de água.
- Registro do nível d’água durante a perfuração e depois do encerramento do furo.
- Descrição das camadas com a terminologia da ABNT NBR 6502.
A quantidade e a posição dos furos não são definidas pela NBR 6484, e sim pela ABNT NBR 8036, que trata da programação de sondagens. As duas normas trabalham juntas.
O que mudou com a revisão de 2020
A mudança mais comentada da revisão está no critério de paralisação, isto é, na regra que define quando um furo pode ser encerrado. A versão de 2020 dá prioridade ao critério definido pelo contratante ou pelo projetista. Quando nenhum critério é informado, a própria norma estabelece critérios baseados em sequências de metros consecutivos com N-SPT elevado.
Na prática, isso leva uma decisão técnica para antes do campo. O critério de paralisação deve constar da programação, e o laudo deve informar o que encerrou cada furo e em que profundidade. O impenetrável à percussão continua sendo um motivo de encerramento, registrado como tal.
A revisão também tratou de outros pontos de procedimento e de apresentação dos resultados. Para esses detalhes, a referência é o texto oficial da norma.
O que conferir no seu laudo
Um laudo de SPT bem executado permite verificar a conformidade com a norma sem grande esforço. Use esta lista como roteiro:
| Item | O que procurar |
|---|---|
| Referência normativa | Citação da NBR 6484:2020, e não da versão anterior |
| Golpes por trecho | Golpes de cada trecho de 15 cm, e não só o N-SPT |
| Penetrações parciais | Centímetros cravados quando os 45 cm não foram completados |
| Encerramento | Motivo e profundidade de encerramento de cada furo |
| Nível d’água | Profundidade e momento das leituras, ou a indicação de que não foi encontrado |
| Referência de nível | Cota ou referência adotada para a boca de cada furo |
| Locação | Planta com a posição dos furos no terreno |
| Descrição das camadas | Terminologia da NBR 6502, com compacidade ou consistência |
| Número de furos | Coerente com a área da construção, conforme a NBR 8036 |
| Responsabilidade técnica | ART do serviço |
Também vale conferir o registro fotográfico. Ele não substitui o boletim, mas ajuda a entender as condições de campo.
Laudos feitos pela versão anterior ainda servem?
Um laudo antigo não perde automaticamente a utilidade, mas precisa ser avaliado pelo projetista antes de ser usado. Estas perguntas costumam orientar a avaliação:
- O terreno mudou desde a sondagem, com cortes, aterros ou demolições?
- A profundidade investigada é suficiente para as cargas e o tipo de fundação do projeto atual?
- A posição e o número de furos cobrem a construção como ela foi projetada agora?
- O laudo traz os registros de campo completos, e não só um resumo?
Se alguma resposta for negativa, uma nova sondagem ou furos complementares costumam ser o caminho mais seguro.
Como aplicamos a norma
Executamos a sondagem SPT conforme a NBR 6484:2020, com equipes de campo próprias e boletim preenchido no furo. O critério de paralisação é combinado na programação, e o laudo informa o motivo de encerramento de cada furo. O laudo é entregue com ART, e o avanço do campo pode ser acompanhado pelo ESAN Insight.
Normas técnicas são revisadas de tempos em tempos, e outras atualizações virão. O princípio permanece: um ensaio padronizado e bem registrado é o que dá ao projetista confiança para decidir. Para ver como o N-SPT é usado no projeto, leia SPT na prática; para os detalhes do serviço, veja a página da sondagem SPT e o guia sondagem de solo.