SPT na prática: como o N-SPT define a fundação da sua obra

O N-SPT é o número que mais pesa na escolha da fundação. Explicamos como ele é medido em campo, como ler o boletim e o que o projetista faz com esse dado.

RASCUNHO — revisão técnica pendente

Antes de qualquer cálculo de fundação, o projetista precisa saber como o solo resiste à medida que o terreno se aprofunda. A sondagem SPT responde a essa pergunta com um número simples, o N-SPT, medido metro a metro. Neste artigo mostramos de onde vem esse número e como ele chega à decisão entre uma sapata e uma estaca.

Como o N-SPT é medido em campo

O ensaio segue a ABNT NBR 6484:2020 e se repete a cada metro de furo. A equipe interrompe o avanço da perfuração, posiciona o amostrador padrão no fundo do furo e o crava com um martelo de 65 kg em queda livre de 75 cm.

A cravação total é de 45 cm, dividida em três trechos de 15 cm, e os golpes de cada trecho são contados separadamente. O N-SPT é a soma dos golpes dos dois últimos trechos, ou seja, dos 30 cm finais. O primeiro trecho fica fora do índice porque atravessa o solo perturbado pelo avanço do furo.

Um exemplo com dados ilustrativos: se o boletim registra 4, 6 e 7 golpes nos três trechos, o N-SPT daquele metro é 13.

Como ler o boletim e o perfil

O perfil de sondagem reúne tudo o que foi observado no furo. Vale lê-lo em quatro camadas de informação:

  • Golpes por trecho e N-SPT. O valor de cada metro, normalmente acompanhado de um gráfico que mostra a resistência ao longo da profundidade.
  • Descrição das camadas. Classificação tátil-visual pela terminologia da ABNT NBR 6502: textura, cor e, quando identificável, origem do material.
  • Compacidade e consistência. A NBR 6484 associa faixas de N-SPT a estados que vão de fofa a muito compacta, para areias, e de muito mole a dura, para argilas.
  • Nível d’água. A profundidade em que a água foi encontrada e as leituras feitas depois do encerramento do furo.

Quando a cravação não completa os 45 cm, o boletim registra a penetração parcial: quantos centímetros o amostrador avançou com determinado número de golpes. Isso costuma indicar uma camada muito resistente ou a aproximação do impenetrável.

Do N-SPT à escolha da fundação

A sondagem não escolhe a fundação: ela entrega os dados para que o projetista o faça. A decisão também considera as cargas da estrutura, as construções vizinhas, o nível d’água e os métodos executivos disponíveis na região.

Ainda assim, alguns padrões aparecem com frequência na leitura do perfil:

O que o perfil mostra O que o projetista costuma avaliar
Camada resistente próxima da superfície e água profunda Fundação rasa, como sapata ou radier
Camadas moles no topo e resistência crescente com a profundidade Estacas ou tubulões apoiados na camada resistente
Nível d’água raso Impacto na escavação e no tipo de estaca viável
Impenetrável raso ou suspeita de matacão Investigação complementar com sondagem rotativa

Para fundações profundas, o N-SPT entra diretamente nos métodos semiempíricos de capacidade de carga mais usados na prática brasileira, como os de Aoki-Velloso e de Décourt-Quaresma. Por isso a qualidade do ensaio pesa tanto: um número mal medido se propaga até o dimensionamento.

Quantos furos e até que profundidade

O número de furos segue a ABNT NBR 8036. Para edificações, a norma pede um furo para cada 200 m² de área de projeção até 1.200 m², com mínimo de dois furos até 200 m² e três entre 200 m² e 400 m². Os furos são distribuídos para cobrir toda a área da construção.

A profundidade de cada furo é a programada ou a definida pelo critério de paralisação da NBR 6484:2020, o que vier primeiro. Quando o furo atinge o impenetrável à percussão e o projeto precisa conhecer o que há abaixo, a investigação continua com sondagem mista, que combina o SPT com a rotativa. Os critérios da norma estão no artigo sobre a NBR 6484.

Erros comuns na leitura do laudo

Alguns equívocos são frequentes na leitura do perfil:

  1. Olhar um furo só. O subsolo varia dentro do mesmo terreno. A comparação entre furos mostra se as camadas são contínuas ou se há lentes e bolsões.
  2. Parar na primeira camada resistente. Uma camada rija pode estar sobre outra mole. Por isso o furo avança além do ponto em que a fundação parece possível.
  3. Ignorar o nível d’água. Ele muda a escavação, o tipo de estaca viável e, em alguns casos, exige rebaixamento.
  4. Tratar o N-SPT como valor exato. É um índice de campo, sensível ao equipamento e ao procedimento. Daí a importância de um ensaio executado conforme a norma e registrado com cuidado.

Como entregamos a sondagem SPT

Executamos a sondagem com equipes de campo próprias, e o boletim é preenchido no próprio furo. O avanço pode ser acompanhado pelo ESAN Insight, que reúne os furos, as fotos de campo e um perfil geológico 2D da obra. O Insight também mostra um modelo 3D do subsolo gerado por interpolação IDW; o modelo 3D é uma interpolação para visualização e não substitui o laudo técnico. O laudo, com ART, é entregue no portal.

Entender o N-SPT ajuda a fazer as perguntas certas ao projetista e a ler o laudo com mais segurança. Se você está no início do planejamento, o guia sondagem de solo compara os tipos de investigação, e a página da sondagem SPT detalha o método e os entregáveis.

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Do artigo para a obra.

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